sábado, 14 de fevereiro de 2009

QUANDO DECIDIR PODE TRAZER UMA DESCONFORTÁVEL SENSAÇÃO

QUANDO DECIDIR PODE TRAZER UMA DESCONFORTÁVEL SENSAÇÃO

MATEUS 16.24-27

Muitas vezes nos levantamos de manhã com a nítida sensação de perda; talvez alguns a chamariam de ‘angústia sem explicação’. E, se alguém nos perguntasse o que está acontecendo, certamente não teríamos nenhuma resposta.
Qual a sensação de alguém que, quando se vê diante de Jesus e precisa Lhe responder ao convite? O que será que passa na cabeça de tal pessoa? É possível que seja um instante de muitas inquietações.
No entanto, chega um momento que é preciso descer do muro. Decidir por Cristo é a decisão mais importante na vida de alguém; mas na mentalidade capitalista, as decisões são baseadas no ‘ o que eu vou ganhar com isso?’.
Por se tratar de uma decisão nitidamente pessoal, Jesus dá aos seus ouvintes a possibilidade de tomarem uma posição.
Jesus diz: “Se alguém quiser vir após mim...” (v.24).

I – PARECE DESCONFORTÁVEL? DECIDA POR SI MESMO QUERER VIR.

1. Não há da parte de Jesus nenhuma imposição àquele que quer ser seu discípulo. Isso fica muito claro na forma como Jesus se dirige aos seus ouvintes.
2. Aqueles que ouviam o discurso deveriam avaliar qual decisão tomar. A paixão de Cristo se avizinhava; o Mestre seria entregue e morto (v.21). Pedro chama o Mestre para o canto para repreendê-lo (v.22), mas é imediatamente colocado em seu devido lugar (v.23).
3. Ir para Jerusalém era uma escolha de risco, mas também inadiável. Por isso Jesus começa a dizer aos discípulos que deveriam refletir sobre descer ou não com Ele: “Se alguém quiser vir após mim” (v.24).
4. Cada discípulo deveria avaliar e decidir. Para eles, podia parecia um contrato de risco, contendo a possível cláusula: ‘Qualquer que for encontrado com o carpinteiro chamado Jesus, que anda por aí ensinado contra César, será levado às barras do tribunal’.
5. Quando Josué decidiu, com sua casa, servir ao Senhor, disse ao povo de Israel: “Escolhei hoje a quem sirvais” (Josué 24.15). O povo deveria fazer a escolha por si mesmo; Josué já tinha feito a sua escolha.
6. Para Jesus, querer segui-Lo era só questão de vontade, de decisão e de avaliação. Descer a Jerusalém era questão de livre-arbítrio, livre vontade.
7. Seguir a Jesus é atender aos apelos do Espírito Santo ao coração quebrantado. Deus é Aquele que quebra os corações.

II – PARECE DESCONFORTÁVEL? NEGUE-SE A SI MESMO

1. ‘Eu me basto (me amo), eu não sei viver sem mim’. Eu sou o centro; todas as coisas têm que girar em torno de mim. Alguns querem tomar para si os atributos da divindade: “Sem mim nada podeis fazer” (Jesus, João 15.5).
2. Renúncia é a palavra que passa fazer parte do dicionário dos que seguem a Jesus. A renunciar a si mesmo é o que se espera de quem passa a seguir Jesus.
3. Muitos querem seguir a Jesus, desde que Ele os aceite sem que renunciem a nada. A vida cristã não é de lazer permanente, embora isso seja importante.
4. Por ser pastor, muitas vezes fico triste, quando vejo que alguns crentes vivem apenas de lazer e nunca do dever (A não ser que o seu lazer faça parte do seu dever).
5. Jesus tocou no ponto de maior dificuldade do ser humano: a auto-renúncia. Há muita gente que quer ser crente, mas acha muito difícil renunciar algumas coisas por Cristo.
6. Assim escreve Fenton: “As condições para o discipulado são, portanto, o rompimento de todos os elos que prendem um homem a si mesmo” (Mateus, NCBC, pg. 174).
7. Jesus estava dizendo que é preciso mudar as prioridades e rearranjar as pessoas, isto é, saia do centro e entronize o Senhor.

III – PARECE DESCONFORTÁVEL? TOME A SUA CRUZ E SIGA A JESUS

1. Ir a Jerusalém já era perigoso, imagine ter que tomar a cruz e seguir o Mestre. Foi justamente o que Jesus propôs aos seus discípulos.
2. Na cabeça dos discípulos aquilo tinha uma representação muita clara; todos já tinham visto alguém sendo crucificado, e ainda tendo que levar a sua própria cruz. Quando os pais podiam disciplinar os seus filhos, eu pedia que as meninas buscassem a minha cinta (Era um drama só!).
3. Levar a própria cruz era o início da dor da sentença. Primeiro, a dor moral, pois a pessoa era zombada e maltratada durante o trajeto até o local da crucificação; segundo, a dor física, pois a pessoa era cravada no madeiro.
4. Não que os discípulos tenham sido crucificados, mas significa que seguir a Jesus era tomar para si o compromisso de, se preciso for, sofrer pelo evangelho (o que certamente aconteceu com muitos deles).
5. João escreve o que Jesus disse aos seus discípulos: “No mundo tereis aflições” (João 16.33). Jesus não disse aos discípulos que segui-lo seria um mar de rosas. Mas disse e Mateus escreveu: “Quem perder a vida por minha causa, este a preservará” (Mateus 16.25b).
6. Mas é preciso saber que, aqueles que têm dificuldade em renunciar certas coisas da vida, ou até mesmo tentar poupá-la quando confrontado por causa de sua fé, Jesus diz: “Quem quiser preservar a sua vida, irá perdê-la” (Mateus 16.25a).
7. O próprio Jesus deixou um exemplo do perder e ganhar a vida, quando contou aos discípulos a parábola do Rico e Lázaro (Lucas16.19-31) .


CONCLUSÃO


Se tomar uma decisão parece ser uma desconfortável sensação, é preciso saber que não é possível passar todo o tempo em cima do muro.
Saiba que tudo dependerá de uma decisão pessoal (“Se alguém quiser”).
Que tudo passa pela autonegação, e a disposição de tomar a cruz como compromisso e seguir o Mestre.

Pr. Eli da Rocha Silva – 15/02/2009
Igreja Batista em Jardim Helena – Itaquera – São Paulo - SP

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Lições em Romanos (4)_13.8-14

Lições em Romanos (4)_13.8-14
Texto Almeida Revista e Corrigida
(Sub-divisão NIBB- Nova Versão Impressa Bíblica Brasileira)




v.8 - A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei.
1. Se no verso v.7 a sentença é pagarmos a todos o que lhe é devido, aqui no v.8, Paulo volta a ratificar a nossa postura em outras palavras: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma”.
2. Mas parece sugerir que há uma conta impagável: “Exceto o amor com que vos ameis uns aos outros”.
3. Ninguém chega ao outro e diz: Amei você até ontem, agora não devo mais nada. Os relacionamentos pessoais são marcados pelo amor praticado de modo constante. Os discípulos foram ensinados por Jesus a amarem os seus inimigos. Em que momento os discípulos deixaram de ter inimigos? Fosse o Estado ou os inimigos naturais da fé, os discípulos tinham que demonstrar amor sempre. Por extensão, já que adotamos como crentes a Bíblia como regra de fé e pratica, o imperativo paulino é para nós também.
4. Os preceitos da Lei não são abolidos na prática cristã, isto é, os mandamentos estão resumidos no fato de amarmos a Deus e ao próximo. (Mateus 22.34-40).

v.9 - Pois isto: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e, se há qualquer outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
1. Aqui, Paulo explicita a extensão do amor ao próximo. Lamentavelmente, o que mais vemos em nossos dias é a falta de cumprimento desses mandamentos bíblicos.
2. A tônica do amor ao próximo como amor a nós mesmos, se dá pelo fato, de não querermos que os outros façam estas coisas contra nós.


v.10 - O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor.
1. Se a Lei é expressa no cuidado com o próximo, Paulo entende que, por amarmos, a nossa tendência será sempre a prática do bem em relação aos que nos rodeiam.
2. Escrevendo aos crentes de Corinto (1 Cor 13), o apóstolo ressalta a superioridade do amor.
3. Resumidamente: Quem ama não tem dificuldade em cumprir os mandamentos relacionais contidos na Lei.

v.11 - E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos.
1. “Conheceis o tempo”. De difícil interpretação, podemos pensar algumas coisas a respeito do tempo referido pelo apóstolo:
• Kairós, como temos aprendido, refere-se ao tempo (ocasião) ligado aos acontecimentos estabelecidos por Deus (aliás, todos são!). Assim, como podiam aqueles crentes conhecer tal tempo?
• Os gentios, crentes de Roma, eram participantes diretos desse kairós divino; o evangelho havia chegado até eles.

2. Por conhecerem o tempo, os crentes devem ficar vigilantes. Há muitos que estão dormindo; não acreditam que haverá o chamado ‘até o fim dos séculos’. Como diz Paulo: “A nossa salvação está, agora, mais perto”. A cada dia, o fim dos tempos está mais próximo.

v.12 - Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz.
1. A noite muitas vezes na história é retratada como um período de dificuldades. Mas as trevas são também, um tempo de desconhecimento de Deus. Alguns crentes chamam o tempo que não tinham Cristo de tempo de trevas.
2. Parece que havia entre os crentes em Roma, aqueles que, mesmo convertidos, continuavam a viver sob as inclinações da carne. Paulo trata das práticas da carne no próximo versículo.
3. Não era questão de só deixar de fazer algo (‘as obras das trevas’), mas de começar a fazer outras (‘revistamo-nos das armas da luz’). Há muita gente que diz que não faz mal a ninguém, mas se formos verificar, elas também não se dispõem a fazer o bem.

v.13 - Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes;
1. O andar cristão deve ser o mesmo em qualquer situação. O apelo é que o crente ande de modo decente e honesto em todo tempo e circunstância.
2. Paulo faz a lista daquilo que devemos, a todo custo, não fazer:
• orgias (komos). (Aurélio: festim licencioso, bacanal). Na Mitologia Grega, Komos era o deus de festividades e folia. Tudo muito parecido com o que vemos no carnaval. As orgias eram também, práticas em rituais religiosos.
• Bebedeiras: Noitadas e outras.
• Impudicícias (koite). Imoralidade sexual e depravação (NIBB). Pecados relacionados ao sexo.
• Contendas: Disputas entre pessoas; Litígios; Discórdias.
• Ciúmes (Inveja NIBB): Espécie de zelo desmedido por pessoas ou coisas. Muitas tragédias são causadas por causa do ciúme.

v.14 - mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências.
1. O crente recebe uma nova vida, o revestimento de Cristo. Não que Paulo duvidasse da conversão dos crentes em Roma; mas, se eles mesmos não conseguiam dar um bom testemunho, o melhor era fazer o que ele ensinou aos Coríntios: “Examine-se cada um a si mesmo”.
2. “Nada disponhais”. O grego traz o verbo poieo, que tem o sentido de fazer. A sentença ficaria: “Nada façais para a carne”. Não devemos atender ao apelo da carne quanto aos seus desejos (Ver Gl 5.19-21).

Pr. Eli da Rocha Silva – 11/02/2009
Igreja Batista em Jardim Helena –Itaquera – S.Paulo - SP

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Lições em Romanos (3)_13.1-7

Lições em Romanos (3)_13.1-7
Texto Almeida Revista e Atualizada
(Sub-divisão NIBB- Nova Versão Impressa Bíblica Brasileira)


Submissão à autoridade (vv. 1-7)

Romanos 13:1- Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas.
1. Algo que a Bíblia não nos ensina é a rebeldia contra as autoridades. Pelo contrário, ela nos faz ver que toda e qualquer autoridade vem de Deus.
2. A NIBB traduz: “Todos devem sujeitar-se às autoridades do governo”. Os governos que temos sobre nós são: Municipal, Estadual e Federal. Temos ainda as instâncias do poder judiciário.
3. Muitas vezes não paramos para atentar para as autoridades como agentes autorizados por Deus. Com isso Paulo não quis dizer que o abuso de autoridade seja sancionado por Deus. As autoridades são livres em sua atuação, saibam, porém, que ao hão de dar contas a Deus do bem e do mal que fizerem.

v.2 - De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.
1. Repito que, muitas vezes não paramos para pensar que, sendo as autoridades agentes a serviço de Deus, ao fazermos oposição a elas, nos opomos Àquele que lhes deu delegação.
2. Há uma diversidade de exigências, já a partir do nosso nascimento. Devemos ser registrados em Cartório de Registro Civil; nossos pais devem nos matricular em escolas de alfabetização; aos dezoito anos, tiramos nosso Título de Eleitor; os meninos devem alistar-se em uma das Forças Armadas; se quisermos constituir família, devemos retornar ao Cartório de Registro Civil, e temos muitas outras obrigações a cumprir (RG, CPF e outras).
3. Aquele que se opor à autoridade constituída trará sobre si mesmo condenação. Porém, quando as leis conflitam com a nossa regra de fé e prática, julguemos tudo segundo o conselho de Pedro (Atos 5.29).

v.3 - Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela,
1. Quem não deve não teme, não é mesmo? Se andarmos corretamente, não temeremos se formos convocados às barras dos tribunais.
2. O temor é resultado da má conduta, por culpa ou por omissão. Você já saiu de casa e esqueceu os documentos do carro? Qual é a sensação que temos quando nos apercebemos da falha? Digo eu, terrível!

v.4 - visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.
1. A primeira parte do verso quatro é continuação do terceiro. Talvez não seja tão comum as pessoas serem elogiadas pelas autoridades, mas isso não é impossível de acontecer. Alguns recebem o título de cidadão pela prestação de bons serviços.
2. Este versículo nos faz lembrar Rm 12.19, onde Paulo escreve a respeito da ira de Deus. Em Lições em Romanos (2) dissemos: “Não precisamos pensar que Deus fará cair a casa sobre a cabeça dos que nos fazem males, mas que, as Leis do país estão aí para protegerem o nosso direito. As autoridades são de instituição divina”.


v.5 - É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência.

1. A sujeição às leis, às autoridades, aos governos não é apenas por alguém temer a punição, mas por dever de consciência.
2. Pedro nos manda: “Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor” (1 Pd 2.13,14). O dever de consciência é o que todo crente deve ter. O dever de consciência se dá pelo fato de sermos filhos de Deus, sendo Ele o Senhor das autoridades, pois estas lhe prestam diakonia (são ministros) (v.4).

v.6 - Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço.
1. Paulo entra em uma matéria que muitas vezes rejeitamos: o pagamento de tributo. Quando as autoridades cobram impostos, taxas e contribuições, devemos entender que fazem isto como “ministros de Deus”.
2. A palavra ‘ministros’ não é a mesma do versículo quatro (diakonos), mas leitourgos, dando a idéia de servidor público. Assim como era Zaqueu, um publicano.
3. Através dos impostos, os governos podem prestar vários serviços como educação, saúde, aposentadoria, saneamento básico e outros. É bom ou não é pagarmos impostos?

v.7 - Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.
1. Murray traz: “O ‘tributo’ corresponde ao nosso termo ‘imposto’, que recai sobre indivíduos e propriedades; e ‘imposto’ corresponde a taxas incidentes sobre mercadorias”.
2. O nosso Código Tributário Nacional especifica as nossas obrigações em Impostos, Taxas e Contribuições. As entidades civis de direito privado, sem fins lucrativos, são imunes ou isentas de impostos, mas não de taxas e contribuições. As igrejas são imunes do pagamento de impostos.
3. A palavra respeito é a tradução de phobos, que é medo, terror, temor, como reverência aos superiores, mas principalmente o temor a Deus.
4. Timen (honra),é aplicado para preço de coisas (Atos 5.2) ou pessoas (Mt. 27.6), e o pagamento de honorários (1 Tm 5.17). A mesma palavra aparece em Efésios 6.2, em relação à honra devotada a pais e mães.


Pr. Eli da Rocha Silva
IBJH 08/02/2009

E QUANDO A PORTA FOR FECHADA?

E QUANDO A PORTA FOR FECHADA?

GÊNESIS 7.16; MATEUS 25.10

INTRODUÇÃO


É muito decepcionante quando precisamos estar em algum lugar, e ao chegar lá deparamos com as portas fechadas. É possível que já tenha acontecido conosco, pelo menos uma vez. Os estudantes quando prestam as provas da FUVEST, já chegam estressados ao local, e alguns perdem a oportunidade por chegarem com alguns minutos de atraso.
Estar na hora certa no lugar certo, não é apenas questão de sorte, mas também, de planejamento, precisão e vontade.
Existem pessoas que não ‘se ligam’ às questões de horário, cumprimento de obrigações, ou de respeito com aqueles que marcaram hora.
A palavra porta é muita significativa no contexto do Reino. Podemos colocar as expectativas do Reino desde o Gênesis até o Apocalipse. Aliás, o Reino é a herança preparada desde a fundação do mundo (Mt. 25.34).
Vamos relembrar dois momentos onde, a porta fechada tornou-se dramática para os que ficaram do lado de fora.

I – A PORTA FOI FECHADA AOS CONTEMPORÂNEOS DE NOÉ

1. A maldade foi crescente, desde Caim até os dias de Noé (e até hoje). Quando a Bíblia diz que Enoque andou com Deus (Gn 5.24), podemos inferir que havia grande número de pessoas que não andavam.
2. Moisés nos informa que a maldade do homem se multiplicou, e que dia a dia só pensavam o que era mau (Gn 6.5).
3. A terra estava corrompida e cheia de violência (v.11). Qualquer semelhança com os dias de hoje não são mera coincidência.
4. Noé, semelhante a Enoque, ‘andava com Deus” (v.9). Quando Lameque gerou a Noé disse: “Este nos consolará dos nossos trabalhos, e das fadigas de nossas mãos, nesta terra que o SENHOR amaldiçoou” (Gn 5.29). Lameque viveu mais 595 após ter gerado Noé; tempo suficiente para ensinar o seu filho (e também aos demais) a temer ao Senhor.
5. Por temer ao Senhor, Noé foi estabelecido por Deus como aquele que preservaria o remanescente (Bíblia Anotada, Nota de Gn 5.29). O remanescente dos fiéis. Metusalém (avô) e Lameque (pai) morreram próximos aos dias da entrada de Noé na arca. Portanto, puderam assistir os esforços de Noé no cumprimento da ordem de Deus.
6. Terminada a arca, entraram Noé e esposas, seus filhos e suas noras (Gn 7.13). Como Lameque teve mais filhos e filhas (Gn 5.30), não é demais especularmos que seus irmãos e sobrinhos tenham ficado de fora. A salvação por ser individual, não está atrelada a níveis de familiaridade e consangüinidade.
7. Entraram também na arca, pares de animais, macho e fêmea; “e o Senhor fechou a porta após ele” (Gn 7.16). Kidner diz que: “A expressão mostra lindamente o toque paternal de Deus no limiar mesmo do juízo. O mesmo cuidado aqui demonstrado encaminha a nossa salvação à sua conclusão (Gênesis, Mundo Cristão pg. 85).
8. Qual seria a reação de Noé diante do desespero de seus parentes, caso ele tivesse o domínio de abri e fechar a porta? Como somos afetados pelas relações de família, é possível que faríamos de tudo, se pudéssemos, para salvar os nossos parentes.
9. Mas, a porta foi fechada, e qualquer oportunidade de mudança de caráter, de fé, de Deus foi encerrada.


II – A PORTA FOI FECHADA ÀS VIRGENS LOUCAS.


1. Depois de um dia de correria nada como um gostoso cochilo. Há um ditado popular que diz que ‘se cochilar o cachimbo cai’. Em algumas culturas, até entre os evangélicos, o cachimbo é tolerado. Quantos crentes não deixaram o seu cachimbo cair! Não entro no mérito do uso ou não, afinal, trata-se de questão cultural!!!
2. Jesus dando instruções sobre os últimos dias, conta a parábola das dez virgens (Mt. 25. 1-13). As dez virgens eram as damas de honra que acompanhavam a noiva, mas aqui representam os crentes (a igreja).
3. As madrinhas eram as responsáveis pela iluminação do trajeto até o local das núpcias. Keener (Comentário Bíblico Atos NT pg. 119) discorrendo sobre o casamento em aldeias da Palestina escreve: “Após um dia inteiro de danças e brincadeiras, as madrinhas deixam a noiva com quem haviam estado, e vão ao encontro do noivo, erguendo as tochas. Então, o escoltam até a noiva, que, por sua vez, juntamente com as madrinhas, escolta o noivo até sua casa”.
4. Por tardar o noivo, elas adormeceram (Mateus 25.5). É possível que pelo costume cultural, passaram o dia em danças e brincadeiras, e algumas delas, esqueceram de suas responsabilidades. Algumas igrejas têm dormindo porque se tornaram igrejas de entretenimento (Leiam o capítulo “Igrejas Amigáveis” John MacArthur, Livro: Com Vergonha do Evangelho). Nada contra o lazer.
5. As madrinhas eram dez virgens. Porém o texto diz que cinco dentre elas eram néscias e cinco prudentes (v.2). Para as néscias, o grego traz morós, estulto, cabeça fechada (“cabeça de bagre?”), lento, imprudente. Para as prudentes, o grego traz phronimos, sábio, sensato, refletido. Keener lembra que ‘era costume o noivo atrasar-se’. “As prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas” (v.4). As néscias ficaram curtindo a vida, vendo a banda passar. Afinal, como alguns pensam, o que importa é o lazer, a cabeça sem muitas preocupações.
6. “Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro” (v.6). Foi um corre-corre, cada uma pegando a sua lâmpada e se preparando para o esperado encontro (para algumas, nem tanto). As néscias perceberam que dormiram no ponto, já não havia azeite suficiente; o jeito era recorrer às outras moças. As prudentes não forneceram o azeite porque eram sensatas: “Para que não nos falte a nós e a vós outras” (v.8,9). A reserva que as prudentes levavam não era suficiente para dez, mas apenas para cinco.
7. Há certas coisas que não podemos passar para os outros, e entre elas a nossa salvação. Diz Tasker: “A graça salvadora, ensina-se aqui, é uma possessão pessoal e intransferível. Quando chegar o dia final da salvação, ninguém poderá livrar o seu irmão. Cada qual será, com respeito a isto, o árbitro do seu próprio destino” (Mateus, Mundo Cristão pg. 185).
8. Assim que as virgens insensatas saíram para comprar o azeite que faltava o noivo chegou, “as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechou-se a porta” (v.10). Quando as outras voltaram, as portas estavam fechadas, e elas não tiveram outra chance (v.11, 12).

III – ATÉ QUANDO A PORTA PERMANECERÁ ABERTA PARA OS DE HOJE?

1. A porta pode ser o dilema de muitos. A porta fica aqui, fica ali; lisa ou trabalhada, camarão ou não?
2. Enquanto muitos não acham a porta, pois ela é estreita, os dias passam. Os dias passam tão rápidos, que a dor do parto é agora só uma lembrança (amanhã a Raíssa completa um mês).
3. Jesus disse: “Eis que estou à porta, e bato” (Ap 3.20). Ele disse isto à Igreja de Laodicéia, que o deixou do lado de fora. Era uma igreja cristã sem Cristo
4. A todos os que querem ouvir Jesus disse: “Eu sou a porta” (Jo. 10.9). A todos que estão sem rumo Jesus se apresenta como o caminho e também como a porta.
5. Mas, para andar pelo caminho e entrar pela porta nenhum homem será forçado. Não haverá ninguém que tenha entrado sem ter escolhido entrar no Reino.
6. Mas até quando a porta estará aberta aos que nos ouvem pregar ano após ano? Morrem os ouvintes e morrem os pregadores. Haverá um tempo que alguns não poderão mais ouvir. E aí?

CONCLUSÃO

Para Noé não foi fácil ver de dentro, os seus parentes que estavam fora.
Não foi motivo de alegria para as virgens prudentes verem as amigas excluídas da festa.
Não será dia de alegria quando a porta for fechada e os nossos ficarem fora. Não será para os que ficarem fora.
Que todos parem para pensar? E quando a porta for fechada?

Pr. Eli da Rocha Silva
IBJH 08/02/2009

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Lições em Romanos (2) 12.17-21

Lições em Romanos (2)




(Rom 12:17) a ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas dignas, perante todos os homens.
1. Paulo reedita, em outras palavras o que Jesus ensinou aos seus discípulos (Mt. 5.43,44). “A ninguém”: nem os da igreja e nem os de fora; é possível que alguém seja mais rigoroso com os da igreja.
2. O crente, por ter abandonado as coisas antigas (2 Cor 5.17), pode agora esforçar-se em fazer o bem, “aos olhos de todos os homens” (NIV) (Ver Mt. 5.16).
3. Em lugar de buscar a retaliação com o que lhe fez mal, deverá, perante os olhos de todos, fazer o bem, apesar do prejuízo sofrido.

(Rom 12:18) Se for possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens.

1. Há situações que estão fora do nosso controle. Mas mesmo assim, no que depender de nós, a paz deve ser buscada sempre.
2. Existem pessoas que, onde houver conflito, podem ter certeza, elas estão envolvidas; amam a discórdia (Ver Gl. 5.20).
3. Recentemente, vizinhos nossos que freqüentam a CCB fizeram dois sábados de vigília, com o chamado fervor pentecostal. Foi preciso que eu falasse com o dono da casa que não era possível eles continuarem. Expliquei que, se preciso, falaria com o ancião deles. Não sou contra vigílias, mas cada coisa em seu lugar! A paz permaneceu entre nós vizinhos.
4. “...com a finalidade de manter a paz, devemos suportar muitas coisas, perdoar as ofensas, e remir bondosamente o pleno rigor da lei; e, no entanto, fazê-lo de tal maneira que possamos estar preparados, sempre que a necessidade exigi-lo, a lutar, com coragem. Porquanto é impossível que os soldados de Cristo mantenham uma paz perpétua com este mundo, cujo príncipe é o próprio Satanás”. (Calvino citado R.N. Champlin Vol. 3 pg. 822).
5. E o que falar então das mulheres cristãs que, muitas delas, suportam casamentos sofridos por terem maridos alcoólatras, violentos, mulherengos, viciados em jogos; elas não desistem porque buscam a paz na família e a recuperação dos seus esposos.

(Rom 12:19) Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor.

1. Mesmo que tenhamos buscado a paz com todos, e mesmo assim sofremos com o homem ímpio, o conselho paulino é: “Não vos vingueis a vós mesmos”.
2. Caso partamos para a vingança, quem delimitara a nossa própria justiça? Seremos capazes de colocarmos freio em nossa vingança? Cuidado, um abismo chama outro abismo.
3. “de Deus”. Não consta no texto grego, mas está subentendido na sentença bíblica. Ao invés de nos vingar devemos entregar tudo ao Justo juiz, que da sua maneira fará justiça (Ver Dt 32.35).
4. Não precisamos pensar que Deus fará cair a casa sobre a cabeça dos que nos fazem males, mas que também as Leis do país estão aí para protegerem o nosso direito. As autoridades são de instituição divina.

(Rom 12:20) Antes, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.

1. Paulo aqui nos faz lembrar Jesus no Sermão da Montanha (Mt. 5.44). De modo ampliado, ele nos ensina como devemos amar os nossos inimigos.
2. Ainda bem (para os inimigos) que não aplicamos os textos bíblicos de forma literal, porque senão “amontoaríamos brasas de fogo sobre a cabeça dos inimigos”. Seria um modo bastante cruel de dar fim a um inimigo bem alimentado.
3. O fato de alguém estar sob a ira de Deus não nos isenta de fazermos o bem até para o inimigo. Toda retribuição sobre o inimigo virá do Senhor (v.19).
4. Alguns intérpretes veem na questão das “brasas de fogo”, uma forma de vergonha naqueles que fizeram o mal e foram pagos com o bem. Mercê de Deus, os homens maus poderão ser mudados quando virem o nosso testemunho cristão.

(Rom 12:21) Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.

1. O mal sempre estará presente (E olha que sou otimista!). O mal está em cada esquina. O mal é como o pecado que espreitava Caim. Se alguém pensa diferente, tire as trancas de suas portas!
2. Por causa disso vamos entregar os pontos? De modo nenhum (Diria Paulo).
3. Então caro irmão, “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”.
4. Em 8.37, Paulo nos ensina que somos mais que vencedores (hypernikomen), por meio daquele que nos amou.

PR. Eli da Rocha Silva
04/02/2009

Lições em Romanos (1) 12.9-16

Lições em Romanos (1)


Rom 12:9 O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem.
1. É impossível vivermos a fé cristã em um ambiente de falsidade, fingimento e hipocrisia. O mandamento de Jesus para todos é o amor, primeiramente a Deus e depois pelos irmãos. Se amamos a Deus de coração inteiro, o mesmo deve ser demonstrado para o meu irmão.
2. “Odiai, detestai, aborrecei o mal”. O mal não é ornamento adequado nas vestes dos crentes. Quem ama o mal, dizendo se crente, engana-se a si mesmo.
3. A questão positiva: “Apegai-vos ao bem”. Todo aquele que se apega ao bem vive incomodado em um mundo mau como o que vivemos hoje.
4. Podemos ver o mal em todas as esferas da vida humana. Ontem (02/02/09), pudemos assistir pela TV o quanto o homem demonstra a sua maldade (Paraisópolis).

Rom 12:10 Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros;
1. O amor devotado entre os crentes deve ser do tipo familiar. Assim como nos dedicamos aos nossos pais, mães e irmãos no lar, devemos transferir essa mesma dedicação à convivência na igreja. Paulo usa uma palavra que aparece uma única vez na Bíblia (filostorgos).
2. Esse amor dedicado nos faz dar a preferência da honra ao outro. Como o relacionamento é de mutualidade, todos são honrados.

Rom 12:11 não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor;
1. Três questões são levantadas em um único versículo: 1) A pressa (diligência) que devemos ter em relação ao cuidado, ao zelo pelas coisas de Deus; 2) O espírito fervoroso deve ser marca do cristão (Diz o hineto: ‘desanimados não, não, não’); 3) Tudo o que somos (1 e 2), será canalizado para o serviço ao Senhor.

Rom 12:12 a 15 (Constam em outra reflexão)

Rom 12:16 sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altivas mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios aos vossos olhos;
1. É possível que a unanimidade pedida refira-se ao mesmo sentimento que devemos nutrir uns pelos outros.
2. O orgulho, a soberba, o ‘querer ser’ não cai bem. Paulo diz: “Não sejais orgulhosos”.
3. A NIBB traz: “Mas prontos a acompanhar os humildes”. Sendo pessoas ou coisas, a verdade é que devemos deixar de lado qualquer tipo de arrogância.
4. Devemos saber que poucos sabemos, e assim nos abrirmos para novos aprendizados. Na igreja o conselho é: instruí-vos uns aos outros.


PR. Eli da Rocha Silva
03/02/2009