quarta-feira, 7 de abril de 2010

NEEMIAS 13

O REAVIVAMENTO DO POVO (DIVISÃO BÍBLIA ANOTADA EXPANDIDA)
1. Reformas em relação aos não-judeus v. 1-3

v. 1 Naquele dia leu-se o livro de Moisés, na presença do povo, e achou-se escrito nele que os amonitas e os moabitas não entrassem jamais na assembléias de Deus;
v. 2 porquanto não tinham saído ao encontro dos filhos de Israel com pão e água, mas contra eles assalariaram Balaão para os amaldiçoar; contudo o nosso Deus converteu a maldição em benção.
v. 3 Ouvindo eles esta lei, apartaram de Israel toda a multidão mista.


1. Ver Dt.23.3-6 (Nm 22.1-11);
2. Vemos em Rute 1.4 o casamento misto;
3. A Palavra de Deus quando estudada e colocada no coração impede que pequemos contra Deus (Sl 119.11).

2. Reformas em relação ao sacerdócio v.4-14

v. 4 Ora, antes disto Eliasibe, sacerdote, encarregado das câmaras da casa de nosso Deus, se aparentara com Tobias,
v. 5 e lhe fizera uma câmara grande, onde dantes se recolhiam as ofertas de cereais, o incenso, os utensílios, os dízimos dos cereais, do mosto e do azeite, que eram dados por ordenança aos levitas, aos cantores e aos porteiros, como também as ofertas alçadas para os sacerdotes.


1. O sacerdócio estava comprometido; Eliasibe havia se aparentado com Tobias, que era amonita (Ver 19);
2. É interessante notar que Eliasibe esteve bem por algum tempo, quando ajudou na obra de reconstrução (3.1).
3. A casa do tesouro (Ml 3.10) foi transformada em apartamento para Tobias. Eliasibe deixou de cumprir a sua obrigação; não tinha mais cuidado com as coisas de Deus, e também não estava cumprindo o que foi estabelecido em 12.44-47.

v. 6 Mas durante todo este tempo não estava eu em Jerusalém, porque no ano trinta e dois de Artaxerxes, rei da Babilônia, fui ter com o rei; mas a cabo de alguns dias pedi licença ao rei,


• Neemias começou o seu trabalho em Judá no vigésimo ano do reinado de Artaxerxes (2.1), depois de doze anos como governador, retornou à Babilônia no trigésimo segundo ano de Artaxerxes, ficando por lá pouco tempo (13.6).

v. 7 e vim a Jerusalém; e soube do mal que Eliasibe fizera em servir a Tobias, preparando-lhe uma câmara nos átrios da casa de Deus.
v. 8 Isso muito me desagradou; pelo que lancei todos os móveis da casa de Tobias fora da câmara.


1. Como homem comprometido com Deus, Neemias jamais consentiria que Eliasibe fizesse o que fez.
2. Tanto não consentiria que para ele aquilo foi um mal, que o desagradou e que o levou a tomar atitudes severas: “Lancei todos os móveis de Tobias fora da câmara”.
3. Não dá para entender com um sacerdote de Judá se aparentou com um inimigo do seu povo; Tobias foi daqueles que se juntou a Sambalate para perturbar no tempo da reconstrução (2.10).

v. 9 Então, por minha ordem purificaram as câmaras; e tornei a trazer para ali os utensílios da casa de Deus, juntamente com as ofertas de cereais e o incenso.

1. Neemias era governador, portanto, seria mais ligado às questões políticas, e Eliasibe deveria cuidar das coisas espirituais. Mas, surpreende-nos o fato de que Neemias cuidou também das espirituais, porque a liderança espiritual estava comprometida com as coisas deste mundo.
2. Neemias depois de desinfetar as câmaras das coisas de Tobias, mandou que elas fossem purificadas para voltarem ao seu propósito original.

v. 10 Também soube que os quinhões dos levitas não se lhes davam, de maneira que os levitas e os cantores, que faziam o serviço, tinham fugido cada um para o seu campo.
v. 11 Então contendi com os magistrados e disse: Por que se abandonou a casa de Deus? Eu, pois, ajuntei os levitas e os cantores e os restaurei no seu posto.
v. 12 Então todo o Judá trouxe para os celeiros os dízimos dos cereais, do mosto e do azeite.
v. 13 E por tesoureiros pus sobre os celeiros Selemias, o sacerdote, e Zadoque, o escrivão, e Pedaías, dentre os levitas, e como ajudante deles Hanã, filho de Zacur, filho de Matanias, porque foram achados fiéis; e se lhes encarregou de fazerem a distribuição entre seus irmãos.

1. Os levitas tinham deixado o seu posto, pois não estavam sendo subsidiados (sustentados) conforme prescrevia a Lei (Ver Nm 3 e 4).
2. Todo o serviço do Templo (já restaurado por Esdras, cf 6.16-18) restabelecido por Neemias tinha sido relegado ao segundo (ou a nenhum) plano; os ministros tiveram que cuidar das suas vidas, deixando de fazer o que havia sido determinado a eles.
3. Depois de contender com os magistrados (os que faziam o juízo) Neemias restaura os ministros aos seus postos (v.11).
4. O povo havia se acomodado; como não eram cobrados por ninguém, deixaram de dedicar os seus dízimos (v.12). Não sei se hoje acontece isso!
5. Neemias escolheu dentre todos, para cuidarem dos recursos financeiros, aqueles que foram ‘achados fiéis...para fazerem a distribuição entre seus irmãos’ (At. 6.1-6). Eliasibe foi descartado pois não cumpriu bem a sua obrigação.

v. 14 Por isto, Deus meu, lembra-te de mim, e não risques as beneficências que eu tenho feito para a casa do meu Deus e para o serviço dela.

• É possível que Neemias tenha sentido apenas que o seu tempo estava terminando, e que, algo maior o esperava. Assim como Paulo também acreditava em algo melhor (1 Co 9.27).

3. Reformas em relação ao sábado v.15-22

v. 15 Naqueles dias vi em Judá homens que pisavam lagares no sábado, e traziam molhos, que carregavam sobre jumentos; vi também vinho, uvas e figos, e toda sorte de cargas, que eles traziam a Jerusalém no dia de sábado; e protestei contra eles quanto ao dia em que estavam vendendo mantimentos.
v. 16 E em Jerusalém habitavam homens de Tiro, os quais traziam peixes e toda sorte de mercadorias, que vendiam no sábado aos filhos de Judá, e em Jerusalém.
v. 17 Então contendi com os nobres de Judá, e lhes disse: Que mal é este que fazeis, profanando o dia de sábado?
v. 18 Porventura não fizeram vossos pais assim, e não trouxe nosso Deus todo este mal sobre nós e sobre esta cidade? Contudo vós ainda aumentais a ira sobre Israel, profanando o sábado.
v. 19 E sucedeu que, ao começar a fazer-se escuro nas portas de Jerusalém, antes do sábado, eu ordenei que elas fossem fechadas, e mandei que não as abrissem até passar o sábado e pus às portas alguns de meus moços, para que nenhuma carga entrasse no dia de sábado.
v. 20 Então os negociantes e os vendedores de toda sorte de mercadorias passaram a noite fora de Jerusalém, uma ou duas vezes.
v. 21 Protestei, pois, contra eles, dizendo-lhes: Por que passais a noite defronte do muro? Se outra vez o fizerdes, hei de lançar mão em vós. Daquele tempo em diante não vieram no sábado.
v. 22 Também ordenei aos levitas que se purificassem, e viessem guardar as portas, para santificar o sábado. Nisso também, Deus meu, lembra-te de mim, e perdoa-me segundo a abundância da tua misericórdia.


1. O sábado, que era para ser guardado como dia de descanso e reflexão estava sendo profanado, tanto por judeus como por outros que vinham até a cidade (v.15,16).
2. Neemias que já estava acostumado a ter que fazer mudanças na base do grito, mais uma vez contende com os nobres, fazendo perceber o mal que estavam trazendo para si mesmos (v.17,18).
3. Neemias já estava no limite da sua paciência; depois de ordenar que as portas de Jerusalém fossem fechadas na sexta-feira para que nenhum comerciante entrasse, os mesmos ficavam aguardando do lado de fora. Bom, é melhor dizer que Neemias perdeu a paciência (v.21).

4. Reformas em relação ao casamento v. 23-31

v. 23 Vi também naqueles dias judeus que tinham casado com mulheres asdoditas, amonitas, e moabitas;
v. 24 e seus filhos falavam no meio asdodita, e não podiam falar judaico, senão segundo a língua de seu povo.
v. 25 Contendi com eles, e os amaldiçoei; espanquei alguns deles e, arrancando-lhes os cabelos, os fiz jurar por Deus, e lhes disse: Não dareis vossas filhas a seus filhos, e não tomareis suas filhas para vossos filhos, nem para vós mesmos.
v. 26 Não pecou nisso Salomão, rei de Israel? Entre muitas nações não havia rei semelhante a ele, e ele era amado de seu Deus, e Deus o constituiu rei sobre todo o Israel. Contudo mesmo a ele as mulheres estrangeiras o fizeram pecar.
v. 27 E dar-vos-íamos nós ouvidos, para fazermos todo este grande mal, esta infidelidade contra o nosso Deus, casando com mulheres estrangeiras?
v. 28 Também um dos filhos de Joiada, filho do sumo sacerdote Eliasibe, era genro de Sambalate, o horonita, pelo que o afugentei de mim.
v. 29 Lembra-te deles, Deus meu, pois contaminaram o sacerdócio, como também o pacto do sacerdócio e dos levitas.
v. 30 Assim os purifiquei de tudo que era estrangeiro, e determinei os cargos para os sacerdotes e para os levitas, cada um na sua função;
v. 31 como também o que diz respeito à oferta da lenha em tempos determinados, e bem assim às primícias. Lembra-te de mim, Deus meu, para o meu bem.


1. Já vimos no início do capítulo a decisão que o povo tomou em relação à mistura que haviam feito (v.3). Mas pelo que tudo indica a decisão não foi levada até as últimas conseqüências.
2. Os lares eram divididos em sua religiosidade; havia gente de Deus casada com os filhos de Belial. Nenhum casamento misto pode trazer a harmonia que o crente precisa buscar dentro de casa. Por mais que o outro seja bonzinho, nunca vai compreender as muitas atividades que temos na igreja cristã (Muitas vezes os próprios crentes não se entendem!).
3. Neemias perdeu a paciência de vez: “Contendi com eles...os amaldiçoei...espanquei alguns deles...arrancando-lhes os cabelos” (v.25). Não sei o que os crentes fariam se os seus pastores partissem para essas atitudes mais radicais. A bem da verdade, tem muita gente merecendo isso mesmo!
4. Neemias faz o povo lembrar-se de Salomão que, mesmo sendo amado de Deus, pecou por causa das mulheres estrangeiras (v.26).
5. Eliasibe, o sumo sacerdote, estava comprometido até a raiz dos cabelos, pois um dos seus netos era genro de Sambalate, amigo de Tobias (parente de Eliasibe v.4).
6. Neemias encerra o seu livro mostrando o contraste entre quem serve a Deus e quem não O serve:
• “Lembra-te deles, Deus meu, pois contaminaram o sacerdócio” (v.29) O próprio Eliasibe havia contaminado o sacerdócio aparentando-se com Sambalate e Tobias.
• “Lembra-te de mim, Deus meu, para o meu bem” (v.31). Neemias entendia que havia combatido o bom combate e guardado a fé; razão da sua oração.

PR. Eli da Rocha Silva OPBB/SP 2036
Igreja Batista em Jardim Helena – Itaquera – São Paulo – SP 07/04/2010

sábado, 3 de abril de 2010

TRISTEZA E ALEGRIA DIANTE DO SEPULCRO VAZIO
JOÃO 20.11-18

I – ACORDANDO CEDO PARA VISITAR O MESTRE

1. Maria Madalena não deve ter dormido bem aquela noite; não era mais possível a alegria de rever o Mestre com antes.
2. Não sendo possível dormir, o melhor mesmo é ir ver como está o Mestre. É bem verdade, que nada seria possível fazer por Ele. Já estava sepultado desde Sexta-feira ao cair da tarde.
3. A noite está tranqüila. Maria Madalena entende que estaria entre as 3h e 6h da manhã (Quarta vigília da noite). Ainda está escuro (v.1); as pessoas dormem; os amigos também.
4. Ao chegar ao sepulcro, Maria viu que alguma coisa estava errada, ou algo havia acontecido: “A pedra estava revolvida” (v.1). Mas quem teria feito isso? Quem esteve aqui para importunar o Mestre?
5. Não há muito, e nem com quem argumentar. O melhor mesmo é informar os outros (v.2).
6. Vindo ao sepulcro, Pedro e o outro discípulo puderam constatar que o Senhor não estava mais ali (v.6-8).
7. Mas diferente de Maria Madalena, voltaram para casa (v.10).

II – NÃO ARREDO O PÉ DAQUI!

1. Diferente dos discípulos, Maria Madalena ficou. Ali era o melhor lugar para chorar o sumiço do corpo de Jesus.
2. Antes, ela apenas vira que a pedra não estava em seu lugar; agora, ela deseja saber o que está acontecendo dentro do túmulo e dá uma ‘espiadinha’: “abaixou-se e olhou para dentro do túmulo” (v.11).
3. Maria Madalena que já chorava, quando vê que de fato não estava ali o Mestre, não pode conter-se, e dois anjos que ali estavam perguntam a ela: “Mulher, por que choras?” (v. 13).
4. Maria compartilha o que eles já sabiam: “Levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram” (v.13).

III- VALEU A PENA NÃO DESISTIR: JESUS ESTÁ AQUI.

1. Um terceiro homem passa a fazer parte do cenário: seria o jardineiro? Ainda está meio escuro, as lágrimas e a emoção dificultam a visão de Maria Madalena.
2. Maria supôs que fosse o jardineiro, possivelmente um empregado de José de Arimatéia. Ela diz ao suposto jardineiro: “Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei” (v.15). Não sei como, mas darei um jeito de levá-lo; dize-me onde o puseste.
3. Naquele instante Jesus tira toda dúvida, tira toda dor, e com voz suave diz: “Maria”. Maria reconheceu aquele tom de voz; só o Mestre a chamava com tanta suavidade. O Mestre já havia tratado da sua dor, Ele dela sete demônios (Mc 16.9).
4. Da tristeza para alegria no menor tempo possível. “Raboni”. É o Senhor mesmo! Imagino Maria querendo se jogar aos pés de Jesus, mas Ele lhe diz: “Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai” (v.17).
5. Não há mais razão para ficar à porta do túmulo; não há mais razão para prantos com choro incontido: “Vai ter com os meus irmãos” (v.17).
6. Maria recebe a missão de anunciar a todos o que estava acontecera: “Vi o Senhor!” (v.18).
7. Não sei o que Maria cantou, mas se fôssemos nós ali naquele jardim cantaríamos: Cristo já ressuscitou, Aleluia! (101 CC).
8. O sepulcro vazio foi a alegria de Maria.

Amém.
Pr. Eli Rocha Silva IBJH 4/04/2010
ATÉ NA ÚLTIMA HORA O ENSINO É O PERDÃO

LUCAS 23.34

I – A ÚLTIMA FASE DA SUA PAIXÃO: JESUS É CRUCIFICADO (V.26-49).

1. “Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram” (v.33). A crucificação era um método cruel e espetacular de execução. Era prática corrente naqueles dias, pois juntamente com Jesus, foram crucificados dois malfeitores.
2. Cumpre-se no Calvário a essência e o fundamento do plano divino de redenção (1 Cor 1.23,24). Na cruz foi paga a nossa dívida (Col 2.14). As forças do mal, que pensavam vencedoras, são vencidas por Jesus, que triunfa sobre elas na cruz (v.15).

II – NA ÚLTIMA FASE DA SUA PAIXÃO, O DESEJO DE PERDOAR

1. A dor dos pregos não tirou de Jesus o amor pelos que o maltratavam; a dor de dos pregos não anestesiaram o coração de Jesus.
2. A versão KJ traz: “Apesar de tudo, Jesus dizia: ‘Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo’” (Lc. 23.34). O Senhor intercede por todos que queriam a sua morte: seguidores, sacerdotes, Pilatos e até mesmo Barrabás.
3. A cruz seria o grande benefício daqueles homens e de todos os pecadores.
4. Mas é bom que se saiba que o perdão não acontece sem o arrependimento. Havia da parte de Jesus o desejo de perdão aos que o ofendiam.

III – NA ÚLTIMA FASE DA SUA PAIXÃO, O PERDÃO NA PRÁTICA

1. Na própria cruz, ainda em vida, Jesus assegura a um dos criminosos, mediante a sua pública profissão de fé, que após ambos morrerem, encontrar-se-iam no paraíso (v. 39-43). Aquela não era uma sentença de morte, mas uma palavra de salvação. Podemos dizer que aquele homem estava no lugar certo na hora certa.
2. Foram seis horas de agonia. Jesus sofreu na cruz das 09:00 às 15:00 horas. E nesta última hora Ele clama em grande voz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (v.46). A morte não podia vencê-lo; Ele voluntariamente se entregou. Naquela hora Ele reassume a sua posição diante do Pai.

CONCLUSÃO
Com a sua morte na cruz Jesus estende a nós:
• O perdão das nossas culpas
• A salvação que é imediata: Hoje
• Garante aos crentes sua maravilhosa companhia: Estarás Comigo
• E um lugar eterno, para uma vida que é eterna: No Paraíso.
Amém.

Pr. Eli Rocha Silva IBJH 4/04/2010

sábado, 27 de março de 2010

ENCERRAMENTO TRIMESTRE MISSÕES MUNDIAIS

POR CRISTO VOU ATÉ OS CONFINS DA TERRA

Mateus 28.19; Marcos 16.15; Atos 1.8

Não é menos que o mundo que Jesus espera que seja evangelizado.
Não é menos que os confins da Terra que devemos alcançar com a força e o poder do evangelho.
Jesus não nos manda fazer o que Ele mesmo não tenha feito. Deixar um lugar para ir a outro foi o que Jesus disse de si mesmo: “Glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (João 17.5).
Para estar no mundo, Jesus mesmo fez aculturação: “tomou a forma de homem” (Fp 2.7).
Por que devo ir até os confins da Terra? Porque foi assim que Jesus disse que deve ser. Estou a ir até os confins da Terra por Cristo? Como posso cumprir esse Ide de Jesus em minha vida? Pelo menos de três maneiras:

I – INDO ATÉ OS CONFINS DA TERRA, INDO MESMO.
1. Indo, de modo literal. Deixando tudo para falar de Cristo em um lugar que ainda não conhecia.
2. Deixar tudo para trás porque fui chamado para isso. Deixar trabalho, amigos, parentes, profissão, namoro, noivado, ou qualquer outra coisa que lembre presente e futuro.
3. Muitos foram, e muitos têm ido para outras nações, para os confins da Terra. Em Atos 7 temos o martírio de Estevão, marcando a presença de Saulo. Em Atos 9 temos a conversão de Saulo. Em Atos 13 temos Saulo sendo enviado para o campo missionário.
4. Temos também exemplos de outras pessoas que deixaram as suas pátrias para serem missionários entre outras nações; indo por Cristo até os confins da Terra. Willian Carey, americano, missionário batista, que dedicou 41 anos de sua vida na Índia. James Hudson Taylor, inglês, de família metodista. Quando Hudson tinha apenas cinco anos, ele disse ao seu pai: “Quando eu crescer serei um missionário na China”. Em junho de 1849, aos dezessete anos, ao ler um folheto escrito pelo seu pai acerca da obra de Cristo, Hudson compreendeu o plano da salvação, e como resultado, entregou sua vida a Jesus. Neste mesmo ano, sentiu a chamada do Senhor para trabalhar como missionário na China. No dia 19 de setembro de 1853, com 21 anos, e associado à Sociedade de Evangelização Chinesa, Hudson Taylor partiu para a China.
5. O casal de missionários batistas norte-americanos, Willian Buck Bagby e Anne Luther Bagby chegaram ao Brasil no dia 31 de agosto de 1882; Zacharias Clay Taylor e Kate Stevens Crawford Taylor (já residentes), no dia 15 de outubro, organizaram a PIB do Brasil com 5 membros; os dois casais de missionárias e o ex-padre Antônio Teixeira.
6. Estes são alguns exemplos de pessoas que deixaram tudo em função da chamada e a compreensão de ir até os confins da Terra, indo.

II – INDO ATÉ OS CONFINS DA TERRA, ATRAVÉS DA ORAÇÃO.
1. Muitos gostariam de ir mesmo; talvez isso seja para alguns o sonho não realizado.
2. Na Grande Comissão Jesus mandou que os discípulos fossem. Ou melhor, ele disse: “Indo, façam discípulos de todas as nações”. Temos que pensar a expressão indo da seguinte maneira: do seu ponto inicial, evangelize; entre a saída e a chegada, evangelize; chegando, evangelize.
3. Muitos são evangelistas apenas no ponto inicial, isto é, no local onde estão inseridos. Mas, já que não podem ir, ultrapassando os limites do ponto inicial, assumem o ministério de missionários de intercessão.
4. Paulo, como missionário que teve o privilégio de ir, não prescindiu dos missionários intercessores, aqueles que ficaram, pois não puderam ir. Paulo disse aos efésios: “Orem também por mim, para que quando eu falar, seja-me dada a mensagem a fim de que, destemidamente, torne conhecido o mistério do evangelho” (Ef 6.19).
5. A oração é ferramenta de fazer missões. Quando oramos, fazemos parte de um grande contingente de missionários que intercedem em favor dos que estão nos campos (de batalhas).
6. Muitos podem dizer: não posso ir (Por que não podem mesmo). Mas, muitos também podem dizer: posso orar.
7. Muitos que ouviram Jesus falando na grande comissão, não ultrapassaram os limites de Jerusalém; alguns deram uma ‘esticadinha’ até Samaria; outros, não saíram dos limites da Judéia; e, ainda outros, puderam deixar tudo para ir até os confins da Terra. O que os fez iguais, é que todos cumpriram a grande comissão.

III – INDO ATÉ OS CONFINS DA TERRA, ATRAVÉS DA CONTRIBUIÇÃO.
1. No tópico anterior eu disse que muitos não puderam ir, mas puderam orar. Embora é bom que se diga que de uma forma ou de outra todos vão.
2. Quem não vai, literalmente, por Cristo até os confins da Terra, vai pela oração e pela contribuição.
3. A palavra contribuir causa arrepios em alguns; ‘nunca na história deste país’ se falou tanto em contribuição; basta-nos ligar o rádio ou a TV que já temos para quem contribuir.
4. Na igreja não se escapa de ouvir sobre contribuição; são os dízimos, ofertas voluntárias, ofertas especiais, ofertas de construção, etc. Temos hoje, como entrega especial a minha contribuição para Missões Mundiais.
5. Contribuir com missões não é uma invenção da nossa JMM. De alguma forma a igreja do primeiro século sustentava os seus missionários. Jesus mesmo disse aos discípulos que foram enviados, que não levassem nada “pois o trabalhador é digno do seu sustento” (Mt. 10.10).
6. Nós todos ficamos emocionados quando conhecemos um jovem, ou alguém que vai cumprir o seu chamado; ele vai para o campo na certeza que o ajudaremos.
7. Os que estão nos campos precisam da nossa contribuição; uma contribuição movida pelo amor por missões e pelas almas perdidas.

CONCLUSÃO

Que possamos fazer parte do projeto chamado Grande Comissão.
Alguns vão mesmo;
Outros não vão, mas são missionários intercessores (e contribuem);
Ainda outros, como parceiros, oram e contribuem para bênção dos que foram.
Assim, todos nos cumprimos o tema da JMM: Por Cristo vou até os confins da Terra.
Amém.


Pr. Eli da Rocha Silva
Igreja Batista em Jardim Helena - Itaquera – São Paulo – SP 28/03/2010
IGREJA – UNIÃO DE MEMBROS EM COOPERAÇÃO
E NÃO
GRUPO DE PESSOAS EM COMPETIÇÃO
1 CORÍNTIOS 12.12-26

1. Para que a igreja sobreviva (e vai sobreviver), precisamos detectar em que pontos ela erra: falo da igreja local.
2. A igreja sobreviverá, embora muitos façam de tudo para a sua morte.
3. A igreja sobreviverá, a despeito de quem eu seja ou faça. É certo, que haverá alguns prejuízos se houver uma tendência a serviço do erro.
4. A igreja será muito melhor do que é, quando eu compreender que sou importante porque sou apenas cooperador.
5. Mas a cooperação é em unidade (“Da multidão dos que creram era um o coração e a alma” At 4.32). Dá para imaginar uma pessoa de duas almas? Tiago imaginou, e chamou o tal de dipsiche (Tg 1.8).
6. A igreja, da multidão de um só coração e alma, teve baixas em sua membresia. Ananias e Safira ‘eram uma só alma’ quando na multidão; no entanto na intimidade do lar, quando se dizia respeito aos seus próprios interesses, deixaram de ser. Ele em ‘acordo’ com sua mulher (At 5.2), decidiram quebrar a unidade na multidão (igreja).
7. A quebra da unidade trouxe ao casal um prejuízo imediato, no caso, pagaram com as suas próprias vidas (v.5, 10).
8. Ananias e Safira quebraram o princípio de cooperação que havia na igreja. Todos cooperavam para que não houvesse necessitados na multidão, na igreja.
9. E quando fazemos da igreja uma arena? Quando pensamos e agimos como competidores. O princípio passa a ser: o importante é competir. O importante é rivalizar.
10. Entendendo que a igreja deve buscar crescer em cooperação e não em competição, Paulo escreveu o presente texto aos coríntios. Ele disse que Deus coordenou o corpo para que não houvesse divisão, mas sim, cooperação (v.24, 25).
11. A igreja que entende o ensino paulino, faz festa em casamentos e chora em velórios; a sua dor é minha e a minha festa é sua, e vice-versa (v.26).
12. Acreditem se quiser! A maioria da igreja vive no céu; um pequeno número é capaz de transformar a vida na igreja em um verdadeiro inferno. Mas, graças a Deus, os que vivem a igreja-céu não são contaminados.
13. Sendo possível que se pense a igreja dois grupos: dos que vivem o céu na terra e dos que fazem do céu o próprio inferno na terra, a pergunta é: pertenço a qual grupo?
14. Essa preocupação não é nova, pois Paulo escreve duas cartas aos coríntios, no primeiro século.
15. Paulo escreve também aos efésios, para que eles soubessem viver em comunidade (Ef 5.15-21).
16. Paulo não tencionava a busca da comunhão com base nos que as pessoas eram, mas com base no que elas criam (“por temor a Cristo” v.21). Quem tem dificuldades com o irmão, deve viver em sujeição, ‘por reverência a Cristo’.
17. É interessante notar que o imperativo (NVI), ou gerúndio (ARA) indica mutualidade; assim, todos são sujeitos a todos.
18. Certo comentarista chega a dizer: “A atitude hostil para com estas atividades, ou uma atividade de indiferença ou da assim chamada neutralidade, mostra que no indivíduo a quem isto seria aplicado o Espírito não habita”.
19. Não é o nosso caso. Quero acreditar que todos entre nós têm o Espírito Santo. Por termos o Espírito não podemos viver fora das aspirações do Espírito, que são o uso correto dos dons espirituais e o Seu fruto em nós.
20. Não é sonho; é real. A igreja deve viver no mundo como se dele não fosse.


Pr. Eli da Rocha Silva 28/03/2010
Igreja Batista em Jardim Helena – São Paulo - SP

sábado, 20 de março de 2010

A IGREJA QUE É, PORQUE SAIU; A IGREJA ESTANDO E A IGREJA PARTINDO


I – A IGREJA QUE É, PORQUE SAIU (GN.12.1)
1. A palavra igreja tem características notáveis para que possamos entender o que ela mesma é. Igreja e a junção de uma preposição e um verbo: “ek”, (preposição que indica origem – o ponto de onde uma ação ou movimento procede), e “kaleo”, (verbo - chamado, convocado), daí “EKKLÉSIA”.
2. Igreja, portanto, trata-se do grupo de pessoas que foram chamadas de um ponto para o outro. O ponto inicial é a própria estadia no mundo, participantes dele como um sistema de coisas.
3. O nosso texto escolhido para representar a saída não é um pretexto, mas sim, uma figura do que representaria a nossa atitude para a formação da própria igreja.
4. Deus disse a Abrão: “Ande para fora (sair) do meio da tua parentela”. Ele foi convocado a sair de onde estava; sair da terra, sair do meio dos parentes e sair da casa do pai (“καὶ εἶπεν κύριος τῷ Aβραμ ἔξελθε ἐκ τῆς γῆς σου καὶ ἐκ τῆς συγγενείας σου καὶ ἐκ τοῦ οἴκου τοῦ πατρός σου εἰς τὴν γῆν ἣν ἄν σοι δείξω”) (Gn 12.1 LXX).
5. Tudo o que Abrão foi intimado a deixar para trás, representava abandonar o passado para estabelecer-se dentro dos propósitos que Deus tinha para ele. Sem deixar o passado não é possível estabelecer o futuro.
6. Como Abrão saiu, os que querem participar da igreja devem sair (ek) quando forem chamados (kletos). Não é possível ser algo novo sem o abandono do que é velho. Quando alguém resiste em deixar as coisas velhas, o resultado é que não consegue viver plenamente o novo.
7. Atendendo ao chamado (kletos) de Deus, Abrão se colocaria na posição de abençoador de nações. Da mesma forma os crentes, ao saírem do mundo, participando da formação da igreja (reunião de pessoas), passam a ser bênção para muitos outros.
8. Deus propõe a Abrão a possibilidade de ser abençoado e também de ser bênção. Mas, para que isso fosse real, Abrão devia sair (ek), deixar cair as amarras do que o afastava dos propósitos de Deus.
9. Como Abrão, que é Abraão, os da igreja deixaram o mundo para ser bênção para os outros, para as nações, para os vizinhos e os amigos (e também para os não amigos).

II – A IGREJA ESTANDO, MAS NÃO SENDO (JOÃO 17.14-18).
1. Se de um lado, foi preciso sair para ser; de outro, é necessário ficar para fazer. Não se trata de um contrassenso, um disparate, um absurdo, mas de uma realidade. Vimos Abrão saindo de algo que representava o velho mundo.
2. Veremos a proposta de Jesus para os discípulos, que é também para a igreja, é justamente no fato deles continuarem no mundo. E é assim que acontece: a igreja foi tirada do mundo, mas ao mesmo tempo, precisa ficar no mundo.
3. A igreja só tem sentido como igreja pelo fato de continuar no mundo. Mesmo que igreja signifique ‘o grupo dos chamados para fora’, ainda é aqui que ela presta o seu serviço; ainda é aqui que ela faz as coisas acontecerem.
4. Jesus não deixou os discípulos confusos com a questão do ‘estar, mas não ser’. Da mesma forma, a igreja não fica confusa com este ‘estar, mas não ser’. A igreja continua aqui, pois existem coisas ainda por fazer. Não foi plano de Deus fazer uma ‘parousia individual’, imediata, instantânea, do tipo: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”.
5. A igreja ainda está aqui porque faz parte de um processo, de um propósito que Deus tem para o mundo. Disse Jesus: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (v.17) (Comparar com Mateus 28.19 e Atos 1.8).
6. Todo o processo de salvação do mundo tem início no próprio Deus (João 3.16); tem o seu cumprimento em Jesus, através da morte (Lucas 23.46) e da sua ressurreição (Lc 24.46,47), e tem continuidade no ministério que é entregue à igreja (eu e você) ("Para que a multiforme sabedoria de Deus seja agora dada a conhecer por meio da igreja aos principados e potestades nos lugares celestiais" Efésios 3:10).
7. Jesus na sua oração intercede pelos discípulos e pelos demais que participariam da igreja (v.20). Jesus tinha um desejo que só poderia ser atendido pelo Pai: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (v.17).
8. Os santificados são os mesmos que foram chamados para fora. Termos sido chamados para fora, implica em dizer que nada de lá trouxemos. Quando Jesus chamou Lázaro para fora do túmulo, deveria ser desprendido de tudo que lembrasse que já estivera morto; ele não guardou com carinho as aturas que o envolveram.
9. Quero dizer com muita tristeza! Ainda tem muito crente vivendo atado ao velho túmulo. Há muitos crentes ainda destilando o líquido mortuário, o liquame o necrochorume, quando dizem em relação aos seus irmãos: ‘não gosto do irmão tal, se ele for eu não vou, diga quem vai para ver se vou, etc.
10. Precisamos entender que estamos no mundo, mas não somos do mundo (v.16).

III – A IGREJA DOS QUE SAÍRAM, FICARAM, MAS PARTIRÃO.
1. Como fez Abrão, que saiu do mundo da sua época, a igreja também fez o mesmo. A igreja continua ainda por um pouco de tempo no mundo, e deve cumprir fielmente a sua obrigação: dizer ao mundo que só Jesus salva.
2. Estando ainda no mundo, a igreja podia sentir-se solitária, abandonada, desprotegida e sem saber para onde ir. Para que ela não sofresse isso. Pois o seu sofrimento seria outro, Jesus disse aos discípulos que não turbassem os seus corações (João 14.1).
3. Jesus, que por muitas vezes esteve só, e entendendo o quanto é dramático o estar só, disse que a sua ausência seria por pouco tempo: “Virei para vós e vos levarei para mim mesmo”; “Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós” (João 14.3,18). Parte da promessa se cumpriu com a vinda do Espírito Santo.
4. A igreja, que não veio para ficar, espera ansiosamente que se cumpra o tempo da sua peregrinação. A igreja espera com alegria ‘ansiosa’ a vinda do seu Senhor. Assim como a noiva aguarda a chegada do seu amado, a igreja espera que venha o noivo.
5. Entretanto, a igreja-noiva não deve aguardar o noivo de qualquer jeito (2 Co 11.2). A igreja-noiva espera o amado com vestes puras e se apresenta bem adornada (Ap. 19.7,8).
6. Também é preciso dizer, que a igreja-noiva não deve se perder, atrapalhar-se com o tempo; ela deve apressar-se para estar no tempo exato da chegada do noivo. Quando chegar o noivo não haverá mais tempo para buscar os adornos, as águas de cheiro, o embelezamento da face (É prática corrente a noiva atrasar-se; não sei se é influência das cinco virgens loucas - Mt. 25.11-13).
7. A igreja, que é a noiva, saiu do mundo; continua nele; mas espera, pronta, ativa e vigilante a hora de deixá-lo. E ela vai sem sentir saudades do que deixou para trás. Não há por que lembrarmos o que deixamos para trás.
8. A igreja-noiva que vai com o seu amado Cristo é multirracial, é de todas as línguas. Ela é não-denominacional. Ela é igreja, ela é corpo. Por ser corpo há de unir-se ao seu amado, há de unir-se a Cristo, a cabeça da igreja.
9. A igreja que saiu, ficou, partirá. É possível que alguém da igreja deixe de ir? É possível que alguém da igreja fique? Não, não é possível. Ficarão sim, aqueles que andaram com a igreja, que até são achados no seu rol de membros, mas que de verdade não fizeram parte da igreja. A igreja não sofre mutilação; o corpo todo subirá para encontra-se com a cabeça da igreja, Cristo.

CONCLUSÃO

A igreja saiu do mundo porque atendeu o chamado para sair.
A igreja ainda está no mundo porque faz parte do único projeto de salvação da humanidade.
A igreja é o grupo daqueles que deixaram o inferno para seguir rumo ao céu.
A igreja é o grupo dos salvos que espera com alegria ‘ansiosa’ a chegada dAquele que a resgatou para si mesmo: Jesus Cristo.


Pr. Eli da Rocha Silva
Igreja Batista em Jd. Helena 21/03/2010